Tudo começou naquele lugar.
Quando eu saí de casa, acreditava saber para onde ia. Ledo engano. Ao chegar onde pensava ser o meu destino fui transportada para outro, mais longe, mais esquisito, inóspito.
E o curioso, foi o quanto me senti satisfeita diante daquele desconforto.
Sons, imagens, palavras, a luz (ou a falta dela), os diversos signos daquele ambiente me remeteram ao exercício de sensações das micro cenas, fazendo-me perceber a necessidade de entender onde e como estamos (enquanto personagens, quer ativos ou passivos), antes de entender uma pessoa e/ou uma história.
Percebo que a compreensão de determinado trabalho parte de como EU sinto, percebo, absorvo. E é dessa mistura gerada em mim que será gerada uma segunda história, contada e reorganizada a partir da minha pessoa.
Saí de lá impregnada, pois ao adentrar naquela fazenda, naquela c asa, naquelas vidas, eu quis ir mais longe do que eles pretendiam que eu fosse.
Ao retornar, encontro-me mais confusa do que antes, justamente, porque entendo mais do que antes.
Eu só tenho a agradecer e parabenizar àquela equipe, pelo desprendimento em compartilhar sua história e sua arte, bem como pela generosidade ao nos contaminar com ela.
Primavera/2011
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