PROTOCOLO de Ensaio nº 2


Protocolo do segundo domingo de 2011 – 16/01/2011
Presentes: FORFEZINHO e Orientadores FORFÉ (Felipe de Menezes, Jefferson Matias, Thaís Dias, Denilson Oliveira e Marcos Rogério de Sousa)
Estamos em processo de trabalho, um processo desafiante! Nossas atividades são muitas e diversas, mas estão em interligação contínua para um mesmo objetivo. Trata-se de um projeto que precisa de um planejamento minucioso, com procedimento de trabalho, método, etapas, pesquisas, para que se chegue ao produto final. Tudo isso é necessário, porém mais necessário ainda, para que tudo se concretize, é a vontade, prontidão e ação de seus idealizadores.
 Esse domingo realizamos várias atividades, iniciamos com alongamentos e jogos dinâmicos, que permitem movimentação corporal, concentração e relação com o outro; envolvem treinamento mental e físico. Aprendemos com nosso orientador Jefferson, três golpes, movimentos com bastão. Exercitamos repetidamente os três movimentos e entendemos o quão necessária se faz a concentração, consciência corporal e espacial para a realização do mesmo. Percebi que tenho ainda muito que desenvolver nesses aspectos. Foi muito interessante realizá-lo, foi muito gostoso aprender algo que nunca havíamos feito.
Após a primeira parte do encontro, iniciamos uma atividade específica, um jogo de improvisação, JOGO DOS VERBOS. Foi-nos solicitado que escrevêssemos verbos que indicassem ações, mas ações que pudessem ter relação com o COMURBA. Eu escrevi DESMAIAR, outros colegas escreveram PEGAR, COMANDAR... Não me recordo exatamente de todos. Bem, o jogo se deu da seguinte forma: alguém levantava, pegava um papel que continha um verbo escrito e ia para a cena... Tínhamos que transpor o verbo do papel na ação concreta. Nossos colegas entravam em cena e tinham que improvisar, poderiam interferir na cena do outro, que estava concretizando o verbo escrito, ou não. Todos entraram e saíram de cena várias vezes. Após os verbos serem postos em prática por nós nas cenas, sentamos para conversar a respeito. Em duplas e trios, pudemos discutir o que havíamos feito e visto nas cenas dos colegas. Cada grupo escolheu uma cena para a atividade da escritura (a ideia é que tudo o que for feito em sala de ensaio possa ser, por nós mesmos, escrito. Todas as atividades e cenas que forem ocorrendo ao longo do processo terão o registro no papel. A escrita é feita em casa, mas com detalhes e informações já anotadas e conversadas em sala de ensaio). Sempre que recebemos a função de ir para casa escrever, já temos consciência que essa atividade faz parte do processo, é uma pequena parte do todo, portanto a cada encontro alguns ficam encarregados de escrever e compartilhar com o grupo, no encontro seguinte, o que produziram. A proposta de trabalho também objetivada por Felipe, é que todos tenhamos, além da atuação, a oportunidade de nos experimentar na dramaturgia e na direção, por isso teremos atividades de mergulho nesses âmbitos. Voltando à atividade do verbo...
O meu grupo escolheu e discutiu sobre a cena da Djeisa (o desmaio) composta também de mais duas personagens: alguém que fazia a limpeza do chão e alguém sentado que tossia horrores. Na nossa discussão entendemos que o ambiente podia se tratar de um hospital, portanto vamos construir a narrativa partindo dessa ideia. Wilma ficou encarregada de produzir.
Tudo o que fazemos se relaciona com nosso projeto COMURBA: Um grito silencioso, sendo assim, todas as produções, sejam na teoria ou na prática, tem que ter relação com o fato ocorrido em 64. E para realizar tudo o que vem sendo planejado, estaremos nos encontrando durante a semana e aos sábados também. O trabalho não se restringe aos domingos, é necessário estarmos nos encontrando em outros momentos para discutirmos a pesquisa, o processo, planejar as ações e ensaiar.
Após o exercício dos verbos, todos apresentaram a escritura que produziram durante a semana (relacionadas com o encontro do domingo anterior – 09/01, onde, a partir da atividade do espelho, selecionamos frases, sentamos em grupos e discutimos o que foi visto para posterior escrita). O texto que eu produzi se chama Era tarde...[1] Para essa elaboração me apoiei em dois elementos que o orientador Felipe nos propôs. O primeiro elemento era a relação que a produção textual deveria ter com o COMURBA, o segundo elemento era a escolha de uma narrativa como inspiração, seja pela forma ou pelo conteúdo. Inspirei-me no texto Vicente do autor Miguel Torga, nesse texto encontrei sentimentos como inconformismo e impotência e frases que se encaixaram belamente no meu texto. Após mais essa atividade, iniciamos outra: o seminário de pesquisa histórica.
Para o seminário de pesquisa histórica nos dividimos em grupo. O primeiro grupo, que apresentou o trabalho esse domingo, se formou com Neriane, Djeisa, Wilma e Cobra, portanto o meu grupo. Ficamos responsáveis por falar da fundação da cidade de Piracicaba. O segundo grupo (Samuel, Augusto, Reisla e Eduardo) está responsável por tratar do século XIX e XX e apresentará no próximo domingo (23/01); o terceiro grupo é o grupo todo, que tratará do COMURBA (dia 30). Nós nos encontramos três dias para planejar esse seminário, estudamos juntos – eu ganhei muito com esse estudo em grupo –, levantamos as informações que julgamos necessárias para serem expostas aos demais. “Preparamos as malas e embarcamos nessa viagem”. E, por infelicidade, após o trabalho apresentado e após a minha reflexão particular compreendo que, esquecemos algo essencial: o contexto em que tudo se dava. Tratamos de história, mas não tratamos do contexto que é sempre indissociável da história. Mas falarei disso um pouco mais adiante. Vamos à apresentação.
Nosso grupo quis tentar uma forma diferente de trabalhar com as informações estudadas e retiradas das fontes (livros). Quisemos fugir de uma apresentação formal, não optamos, portanto, por uma explanação oral, tampouco escrita. Pensamos em formas teatrais e em jogos, pensamos “N” coisas. Tivemos a ideia de fazer um Quiz, com um apresentador, perguntas e respostas, provas... Assim fizemos. No decorrer e posteriormente à atividade, foi me ocorrendo – que fique claro que a princípio é um pensamento particular – que talvez não tenhamos conseguido passar realmente as informações necessárias sobre a fundação da cidade. Nós nos divertimos e perdemos um pouco o foco.
A atividade foi legal, mas o principal era a história da cidade. Fui começando a ter um pouco mais de clareza sobre o que fizemos quando Denilson (orientador) comentou as suas impressões da apresentação. Esclareceu-nos que “quando nos colocamos na condição de pesquisadores de determinado objeto, para embasarmos um processo criativo, devemos procurar entender as relações humanas, as condições sociais, aspectos econômicos”. Segundo ele é importante “entender as relações entre as pessoas, como se alimentavam, as relações de trabalho, os valores morais, narrativas míticas, folclóricas, formas de governo...”. As considerações de Denilson contribuíram muito conosco. O contexto é a essência e precisamos resgatá-lo para uma compreensão clara e um olhar crítico.
Após a apresentação finalizada, sentamos para ouvir nosso orientador Sassá (Marcos Rogério). Sassá nos orientou sobre as pesquisas e entrevistas que são parte de mais uma etapa do trabalho, nos deu algumas dicas e esclareceu sobre os procedimentos. Faremos as entrevistas com pessoas relacionadas ao COMURBA ou que tenham conhecimento sobre o ocorrido, qualquer informação nesse momento é preciosa. Precisamos estar preparados, planejar cada passo, saber o que questionar aos entrevistados. Sassá estará nos auxiliando, caminhando conosco, documentando muitas de nossas pesquisas.
Nos momentos finais do encontro, nos reunimos para receber as orientações individuais (além dos orientadores do grupo, cada membro do Forfezinho está recebendo orientação individual de interpretação, expressão corporal, artística etc.). O orientador individual tem a função de trabalhar as particularidades do orientando, é um trabalho mais focado, muito interessante para ambos. O Forfezinho tem oito membros e cada um dos oito tem um orientador. São três orientadores específicos para esse trabalho: Thaís Dias, Jefferson Matias e Vânia Lima. A minha orientadora é a Thaís, que também orienta Reisla e Djeisa. Jefferson é orientador de Eduardo e Augusto; Vânia orienta Cobra, Samuel e Wilma. Vânia não pode estar presente esse domingo, portanto os orientandos dela foram divididos entre os orientadores presentes. No meu grupo então ficaram: Eu, Djeisa, Reisla e Samuel. Com o Jefferson foram Augusto, Eduardo, Cobra e Wilma. Cada grupo ficou de um lado da sala. Sentamos em roda e recebemos alguns “cutucões”.
A minha orientadora relatou suas impressões sobre cada um de nós, o que já acompanhou desde que nos viu em cena pela primeira vez e o que vem acompanhando agora no nosso processo, – comentamos o quanto já aprendemos, o quanto os exercícios já nos ajudaram e o quanto hoje estamos maduros em relação ao início de toda nossa imersão teatral (em janeiro de 2010) – soube apontar aspectos positivos e particulares de nossa atuação, de nossa presença cênica e apontou também as nossas dificuldades, nos chamou atenção para aspectos em que temos possibilidades de crescimento. Thaís orientou-me a ter mais atenção com os meus pés, com o meu entrar e meu caminhar em cena, pediu que eu trabalhe com o lento e o leve. O corpo do ator em cena deve ser o corpo da personagem. Os orientadores estarão nos desafiando, estarão nos ajudando a perceber quais são os pontos que temos que trabalhar. O olhar do orientador é sempre na perspectiva de compreender quem é aquele orientando; quais são suas maiores dificuldades; quais são suas necessidades cênicas...
Thaís, durante a semana antecedente ao domingo, pediu que escrevêssemos um pouco sobre nós e elencou cinco fatores para refletirmos e respondermos por escrito. Num desses fatores questionou-nos sobre o que esperamos desse processo de orientação. Respondi que espero crescimento emocional, mental, corporal, pessoal e artístico.
 Acredito no crescimento. E, na verdade, o que sempre espero é o aprendizado, – que ele faça parte de tudo o que eu for fazer, de qualquer momento da minha vida – e nesse domingo, aprendi muito.
O aprendizado é transformador!

Palavras: COMURBA, DESAFIO, AÇÃO, ERRO.


Neriane Libardi




[1] Esse texto pode ser lido nesse mesmo blog, logo abaixo.







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